A saudade bate às portas

A saudade bate às portas
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Mais um dos muitos dias que já se foram, e que levaram com eles gente que não podia ter ido. Velhos e velhas, amigos e amigas, irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, homens e mulheres, amantes e apaixonados; pessoas as quais são fundamentais em seu meio.

Creio que todos se perguntam o que é a saudade e como defini-la em poucas palavras. Saudade é tudo aquilo que marcou nossa vida o qual nos fez depositar um pouco do nosso amor para uma situação, ato ou pessoa que outrora jamais imaginaríamos ser de suma importância.

Fazemos, brigamos, cantamos, nos declaramos etc. E de maneira alguma passa em nossa mente, se quer por um segundo a abrangência de certas circunstâncias, quão grande foi a reação nos segundos decorridos, pouquíssimo tempo, até mesmo quando compartilhamos do Amor. O beijo, o frio na barriga, o abraço o afago trás saudades, assim como as conversas sinceras e cruciais para a sobrevivência nesse século finito. E como sintetizar essa reação absoluta e única dentro de cada um? Impossível, não dá para apalpá-la, não da para vê-la, no entanto senti-la gera uma nostalgia inquietante.

Buscar respostas concretas para tudo que vem a tona nas minhas lembranças, paras as coisas ocultas guardadas no coração, é trazer um passado transcendendo o limite entre o que é real e o que é fruto de pensamentos loucos, e por alguns instantes fazem tudo se tornar real novamente; o beijo, o frio na barriga volta num estranho retorno aos fragmentos de felicidades caídos pelo caminho trilhado até aqui.

Os velhos e velhas, amigos e amigas, irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, homens e mulheres, amantes e apaixonados renascem das cinzas, das flores mortas, a fim de me fazer lembrar de tudo que passou e ficou guardado nas memórias batendo em minha porta, pedindo como esmola um espaço para desabafarem comigo e relembrarem toda alva vista juntos num carinho inocente. As vozes parecem um chamar divino, num tom de paz me fazem fechar os olhos e ceder um lugar dentro de mim para voltarmos aos dias vividos que foram tão desvalorizados e esquecidos no seu ápice.

Restam somente os “flashs” de um passado cuja nobreza está fixada numa solidão, a solidão dos que ficam esperando alguma forma de reencontrar a primícias perdidas, um sentimento firme e honesto que nos fere por dentro. Nessa vida sobre o relógio tudo vai se esvaindo, passando despercebido o fato de que todos os dias são os últimos para viver.

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