Pantanal Paulista
Recentemente, na fila de espera para ser atendido no banco, e com uma revista em mãos, me deparo com uma matéria à respeito dos estragos causados pela temporada de chuva veraneia na cidade de São Paulo e no Interior do Estado de São Paulo. Vejo e revejo as imagens da matéria, imagens essas que não chegam mais a causar espanto algum ou coisa que o valha. Tais acontecimentos já se tornaram parte integrante do dia-a-dia paulista. Afinal, bastam 15 minutos de chuva, em qualquer estação do ano, para que uma rua se torne um rio de correntezas na cidade de São Paulo.
Pois bem, até aí tudo normal, tudo como sempre foi. Ao me deparar com outra notícia à respeito do mesmo assunto, comecei a pensar por que motivos tudo isso ocorre. As matérias sobre esse assunto apenas informam o que ocorreu, mas não o que propiciou esse acontecimento – com algumas exceções à parte. Pesquisando um pouco sobre o assunto, eu verifiquei que as regiões em que as enchentes são mais freqüentes, em sua maior parte, são bairros ilegalmente ocupados, sem nenhum registro legal. Esses “bairros” (entre aspas pois legalmente não são bairros) geralmente estão em áreas de reserva ambiental protegida por lei. Se tal área está sob proteção, deve ser por que ela é importante e/ou por que sua ocupação pode trazer algum risco. Sendo assim, cabe às autoridades governamentais zelar para que a Lei seja cumprida, (o que eu penso por lei cumprida seria algo como: ocupou, levou chumbo).
Na cidade de São Paulo vemos que muitos bairros ilegais estão em áreas de várzea de rios. Explicando, uma área de várzea é uma campina plana na margem de um rio que é inundada pelas águas da chuva em época de enchente (http://pt.wikipedia.org/wiki/Várzea). Agora, como a população, que comete o crime de ocupar ilegalmente a área, pode exigir dos órgãos públicos que o problema seja resolvido? Em muitos casos, as tais casas populares são construídas, para que essas famílias sejam realocadas. No final, essas famílias acabam por alugar o imóvel que recebem (em um local seguro, livre de enchentes) para ter uma renda extra, e retornam a morar no bairro ilegal.
Sendo assim, eu me pergunto: quem é o maior culpado nessa estória? População ou órgãos públicos? Uma coisa é evidente: ambos estão errados.
3 Comentários

“Ocupou, levou chumbo”
Infelizmente, ainda, algo do tipo é devaneio, assim como também esperar que tanto população e órgãos públicos tenham melhoras significativas em vastos sentidos, entre os primordiais: Razão, bom senso, atenção, cuidado e direção. Isso independente do assunto que se abrange.
Não concordo. Creio que como tais áreas são protegidas por Lei (seja qual for a finalidade, isso é, por interesses estatais ou ambientais), o uso de força deve ser feito se for necessário.
Exemplifico o que ocorreu recentemente na cidade de Itupeva, na principal rodovia de acesso a cidade. Apóio totalmente o direito da população de protestar, mas sou totalmente contra o fato de terem tentado inibir o meu e direito, e o de várias pessoas, de ir e vir aondo quisermos. E foi por isso que a PM e a Força Tática foram acionadas, pois o meu direito, e o de várias pessoas, de livre locomoção no território nacional, defendido pelo artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, em seu inciso XV, estava sendo usurpado. Por isso, eu parabenizo o que as nossas forças de segurança pública fizeram para defender este direito constitucional básico que todo brasileiro tem.
Eu acho que a culpa é da chuva que cai e do rio que enche. Assim todo mundo pode reclamar e ninguém resolver!
Muito bom o texto.